Tudo sobre Agachamento



                A musculação é uma modalidade de exercício físico em que os músculos opõem-se a uma resis­tência ou força externa e é utilizada principalmen­te para o desenvolvimento de uma capacidade física denominada “força”. Pode ser conceituada como treinamento de força, treinamento com cargas, treinamento com pesos ou exercícios resistidos.



 Cada indivíduo pratica essa atividade com diferentes objetivos. Alguns pretendem aumentar a massa muscular, outros aumentarem a força muscular máxima, outros pretendem aumentar a potência muscular e há ainda os que querem aumentar a resistência muscular, etc.





 Para que todos os indivíduos sejam beneficiados por esse treinamento, os profissionais de educação física devem conhecer suas bases teóricas (Anato­mia, Fisiologia, Biomecânica), as precauções e contraindicações, os objetivos de cada indivíduo, os exercícios específicos e a musculatura que estes exer­citam. Vamos lá! No texto de hoje, falaremos um pouquinho do agachamento, exercício completo, complexo e que gera alguns conflitos entre alunos e professores.




O agachamento é um dos exercícios mais completos realizados dentro das academias, envolvem diversas articulações, consequentemente um maior número de músculos (quadriceps femoral, glúteos máximos, adutores, músculos eretores da coluna, abdominais, posteriores de coxa e tríceps sural e inúmeros coadjuvantes). Alem disso é um exercício funcional, usamos esse tipo de movimento constantemente em nosso dia a dia como, por exemplo, sentar e levantar de uma cadeira ou pegar um objeto no chão. O pior é que existem pessoas que o proíbem ou restringem seu uso, principalmente limitando sua amplitude em 90°. Lembrando que nossas estruturas musculares se adaptam especificamente ao movimento.  Por exemplo, uma pessoa que usa movimentos muito curtos pode se lesionar em um movimento cotidiano pelo simples fato de não treinar um determinado ângulo de movimento necessário nesta atividade do dia a dia. Neste sentido a limitação da amplitude do agachamento, além de reduzir a eficiência do exercício, pode reduzir a funcionalidade de uma pessoa em seus movimentos cotidianos como, por exemplo, pegar um objeto pesado no chão.

 



Agachamento e o joelho

  

Segundo alguns conceitos, o agachamento profundo é perigoso porque ao flexionar o joelho em ângulos maiores que 90° aumenta-se perigosamente a tensão na patela, de modo que este movimento deveria ser banido. A maioria dos "especialistas", porém, analisam o agachamento pensando somente no quadríceps e se esquecem de que na fase profunda do agachamento os músculos posteriores da coxa são fortemente ativados ajudando a neutralizar a temida tensão exercida na patela.  Um estudo feito por ISEAR et al em 1997 concluiu que durante o agachamento, os isquiotibiais produzem uma força de vetor direcionado para trás, compensando a atuação do quadríceps, em um processo denominado co-contração, que contribui para estabilizar os joelhos durante o movimento. É importante ressaltar que levantadores de peso, tanto olímpicos quanto basistas, realizam agachamentos com amplitude completa e sobrecargas elevadíssimas e possuem os joelhos mais estáveis que a grande maioria dos indivíduos.

Estudos mostram que o agachamento pode ser benéfico para os ligamentos:

Ligamento cruzado anterior

YACK et al (1993) concluiu-se que o agachamento minimiza a tendência de deslocamento anterior da tíbia, sendo mais indicado, em comparação com a mesa extensora diante de lesões no ligamento cruzado anterior. 

MORE et al (1993) concluiu que os isquiostibiais atuam sinergisticamente com o ligamento cruzado anterior na estabilização anterior do joelho durante a realização do agachamento, o que leva os autores a considerarem esse exercício útil na reabilitação de lesões no ligamento cruzado anterior.

Ligamento cruzado posterior


Em um estudo feito por MACLEAN et al em 1999, foram analisados dois grupos: um composto por indivíduos sedentários saudáveis e outro por atletas lesionados no ligamento cruzado posterior. O objetivo era verificar se um treino de agachamento era eficaz na melhora da função, ganho de força e sintomatologia (no caso dos indivíduos com lesão). Depois de 12 semanas, observou-se aumento de funcionalidade no grupo lesionado, concluindo que o treinamento de agachamento é viável para reabilitar insuficiências crônicas do ligamento cruzado posterior. 

 



Para concluirmos, vamos lembrar que:


As forças tensionais e compressivas desse tipo de exercício estão totalmente dentro de nossas capacidades fisiológicas e articulares, claro, respeitando os fundamentos científicos do treinamento de força com ênfase na técnica perfeita de execução.




Para realizarmos o movimento completo (agachar mais profundo), é inevitável que se use uma menor quantidade de peso (sobrecarga absoluta), sendo assim, por mais que haja maior tensão em estruturas do joelho e coluna para a mesma carga, deve-se perguntar até que ponto isto é significativo em relação a sobrecarga utilizada e, principalmente, em relação ao trabalho da musculatura da coxa e quadril. Deve-se ter em mente que quando se agacha com amplitude limitada se usa cargas bem mais altas, o que pode levar a um aumento ainda maior das forças tensionais e compressivas. A amplitude do agachamento é muito importante, pois conforme se aumenta a flexão do joelho ("profundidade") aumentam-se as ações musculares. O que não pode acontecer é o individuo durante a fase excêntrica (principalmente quando o ângulo começa a ficar menor que 90 graus) deixe o movimento "despencar", pois desta forma as tensões que deveriam estar sobre a musculatura, irão se incidir nas estruturas articulares do joelho.


 Não podemos generalizar e deixar que todos os indivíduos realizem a prática indiscriminada de agachamentos. Em casos de lesões, o ideal é fazer um tratamento onde profissionais de ortopedia e educação física trabalhem juntos analisando cada caso.

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